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Sustentabilidade

Serviços dos Ecossistemas nas Hortas Urbanas

“As potencialidades das hortas urbanas (HU) têm, atualmente, um particular relevo nas diretrizes do desenvolvimento urbano.” Conheça a opinião de Paulo Brito da Luz e Maria Elvira Ferreira, investigadores do Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV, I.P.)

Nas estratégias de planeamento das cidades, as HU devem enquadrar um papel multifuncional sustentável, envolvendo vertentes agroambientais, sociais e económicas. Constata-se também, um crescente apelo à participação de diferentes grupos de pessoas e organizações nas atividades e à consciencialização dos principais impactos daí resultantes (Luz et al., 2015).

Os diferentes serviços dos ecossistemas nas HU envolvem a produção de plantas (e.g. alimentares, aromáticas, medicinais), a regulação ambiental (e.g. recursos naturais, clima, habitats/biodiversidade) e aspetos culturais (e.g. coesão social, exercício físico, recreio, processos educativos) (Langemeyer et al., 2016). Por exemplo, Mourão (2013) refere que em locais como escolas e instituições (IPSS e de saúde), as hortas podem ter funções pedagógicas, de educação ambiental, de formação, ocupacionais e terapêuticas, contribuindo para o bem-estar e melhoria da saúde física, mental e emocional dos utilizadores; também uma HU pode servir os diferentes grupos sociais e faixas etárias, satisfazendo necessidades fundamentais das populações, dando-se assim prioridade a esse uso num espaço de requalificação ou crescimento da cidade.

A par dos benefícios destes serviços, existem questões relativas a impactos negativos das HU sobre os ecossistemas, infraestruturas, comunidades e regiões, que deverão ser devidamente identificados em termos de riscos e vulnerabilidades. Particular atenção deverá ser dada a problemas de poluição e contaminação do solo e da água, a plantas invasoras, a pragas e doenças, a paisagens de baixo valor visual, abandono e conflitos sociais, ou de acidentes e riscos para a saúde (Leitão et al., 2016). Por exemplo, a localização das HU em zonas de elevado risco de poluição são também um risco para a saúde dos consumidores, pois a probabilidade de existência de resíduos/contaminantes é grande (Luz & Ferreira, 2019). As decisões a tomar no âmbito de um planeamento urbano adequado na perspetiva de boas práticas e recomendações em HU, devem passar por processos de avaliação, nos quais se quantifica o grau/magnitude desses vários impactes (e.g. com parâmetros e indicadores das diferentes áreas agro-ambientais e socio-económicas)

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(Figura 1). Figura 1 – Esquema dos processos de avaliação e de decisão em hortas urbanas. Como exemplos, as boas práticas e recomendações que envolvem as diferentes áreas deverão promover: 1) as variedades regionais adaptadas às condições edafoclimáticas; 2) o modo de produção biológico (e.g. rotações culturais, controlo biológico, adubações verdes, compostagem); 3) as sebes e barreira naturais; 4) o aproveitamento de águas pluviais e residuais; 5) estruturas (terraços e cobertura vegetal) e ferramentas/equipamentos que previnem a degradação do solo; 6) o aproveitamento de energias renováveis; 7) procedimentos de monitorização e avaliação da qualidade dos recursos naturais; 8) ações de formação e redes de informação; 9) o ‘diário’ da horta; 10) a gestão participada.

Nota final: Os desafios de multifuncionalidade colocados às HU requerem uma participação empenhada dos decisores e comunidades na requalificação de espaços de construções e naturais (sobretudo abandonados e degradados), os quais constituem um importante contributo para tornar as cidades mais adapatadas e resilientes a condições ambientais e sociais negativas.

Bibliografia

Langemeyer, J., Latkouska, M.J. & Gómez-Baggethun, E.N. 2016. Ecosystem services from urban gardens. p.115-141. In: S. Bell, R. Fox-Kämper, N. Keshavarz, M. Benson, S. Caputo, I.S. Noor & A. Voigt (eds.). Urban allotment gardens in Europe. COST and Earthcan from Routledge, London.

Leitão, T.E., Henriques, M.J., Cameira, M.R., Mourato, M., Rodrigo, I., Martins, M.L.L., Costa, H.D. & Pacheco, J.M. 2016. Avaliação da qualidade dos solos, das águas subterrâneas e das espécies hortícolas em hortas urbanas de Lisboa. Identificação de medidas de mitigação visando a proteção da saúde pública. Relatório 54/2016 – DHA/NRE, LNEC, Lisboa, 149 pp.

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